Uso de bactérias no solo aumenta colheitas em 100%
27 mai 2010 Deixe um comentário
em Saberes Agroecológicos Tags:agrotóxico, natureza
O Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente, Pnuma, anunciou que é possível aumentar em mais de 50% a produtividade das lavouras sem recorrer ao uso de fertilizantes.
A descoberta foi anunciada na terça-feira (18), na abertura de uma conferência no Centro Agroflorestal Mundial em Nairóbi, no Quênia. O encontro discute como os microorganismos trabalham no solo e como eles podem ser utilizados.
O projeto internacional de pesquisa intitulado Manejo Sustentável da Biodiversidade Subterrânea observou a relação entre os microorganismos presentes no solo e a produtividade das plantações.
Estudos realizados no Quênia indicaram que o uso de alguns tipos de bactérias no solo das plantações de soja aumentou a lucratividade das lavouras entre 40% e 60%, sem o uso de fertilizantes.
Quando microorganismos foram usados em plantações, com o auxílio de fertilizantes orgânicos, as colheitas dobraram. Neste cenário, os custos caíram e a lucratividade das lavouras aumentou. Os microorganismos ajudam ainda no melhor aproveitamento da água e dos nutrientes.
Segundo o Pnuma, outra descoberta importante é que, em alguns casos, as bactérias ajudaram a combater doenças nas lavouras, diminuindo a necessidade de pesticidas.
O projeto internacional de pesquisa sobre a biodiversidade subterrânea deverá durar oito anos e conta com o apoio de cientistas do Brasil, Côte d”Ivoire, Índia, Indonésia, México e Uganda. A agência da ONU fornece suporte na implementação do projeto.
Fonte: Agrolink
Agricultores rejeitam uso de agrotóxicos contra mosca negra
08 abr 2010 Deixe um comentário
em Estado da Paraíba Tags:agricultura familiar, agrotóxico, saúde
Conter a disseminação da mosca negra dos citros continua sendo prioridade, mas famílias agricultoras do Brejo Paraibano rejeitam o uso de agrotóxicos como solução. Apesar disso, o Governo do Estado da Paraíba e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) têm insistido na aplicação em larga escala do Provado SC200 (produto comercial da Bayer com principio ativo Imidacloprid, da família dos neonicotinoides).
Cientes dos riscos que o veneno pode acarretar, representantes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) e do Polo das Organizações da Agricultura Familiar da Borborema têm se mobilizado, buscando diversos canais de interlocução para tentar fazer o governo optar por alternativas menos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde das famílias produtoras e consumidoras. Além disso, o emprego de agrotóxicos contraria as práticas tradicionais de grande parte dos agricultores da região, que vêm seguindo os princípios da Agroecologia, entre eles, a ausência de venenos nos cultivos.
Entre as ações de mobilização, foi convocada uma audiência no Ministério Público, junto à Promotoria Especializada de Defesa do Meio Ambiente da Comarca de Campina Grande, da qual participaram o promotor de defesa do meio ambiente, José Eulâmpio Duarte, representações do Polo da Borborema, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Lagoa Seca, da Associação dos Amigos da Natureza (Apan), da UEPB, da AS-PTA e da Defesa Agropecuária do Governo da Paraíba.
A reunião aconteceu no dia 2 de março, quando os presentes discutiram diferentes pontos de vista sobre como combater a mosca negra. Embora admitam que a contaminação exija ações emergenciais, os movimentos da agricultura familiar e ambientalistas apontaram os riscos da aplicação de produtos químicos nas lavouras, comprovados em outros locais em que se optou por essa via para erradicar a praga. Além disso, relataram experiências em que agricultores do Brejo Paraibano têm utilizado com sucesso extratos vegetais, como de castanha-de-caju, manipueira, maniçoba, angico e nim.
Durante entrevista para a equipe Studio Rural, Nelson Anacleto, representante do Polo da Borborema, declarou que reconhece o esforço do governo, mas reforça que o acúmulo de experiências dos agricultores no controle de pragas sem uso de veneno não tem sido levado em conta. Segundo ele, há outras formas de se restaurar o equilíbrio do sistema e alerta para o fato de que há grande ocorrência de casos de câncer e de outras doenças justamente ligados aos agrotóxicos.
O grande prejuízo vai além do econômico, pois afeta o meio ambiente e a natureza, e nós já temos toda essa experiência vivenciada com o que vem acontecendo em nossa região com os efeitos danosos dos químicos, desabafa Anacleto.
O agrônomo da AS-PTA, Luciano Silveira , reforça o argumento de que o melhor e mais eficaz método para combater a mosca negra é o controle biológico, uma vez que já há pesquisas que elencam vários inimigos naturais do inseto.
Embora o uso do veneno promova uma queda da população da mosca negra no curto prazo, ele agrava o desequilíbrio do sistema no médio prazo, já que mata não só todos os inimigos naturais da praga, como também outros organismos responsáveis pela restauração do sistema. Ou seja, o uso do agrotóxico só intensificará o problema nos próximos anos. Além disso, esse produto químico é reconhecidamente muito nocivo, tendo sido proibido na Inglaterra, na Itália, na França e na Alemanha por ser associado à mortalidade de abelhas, insetos polinizadores que garantem a reprodução das lavouras, explica Luciano.
Ao final da audiência na Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, os presentes chegaram a um acordo em que o governo do estado se comprometeu a formar uma comissão mista, composta por biólogos, agrônomos, agroecologistas e representantes de órgãos públicos que ficaram encarregados de avaliar a situação da flora e da fauna, especialmente os insetos, da área de cerca de dez hectares em que o produto químico já foi aplicado. Essa avaliação embasaria as medidas mais apropriadas para o combate à mosca.
Quinze dias depois da audiência pública (17/3), como forma de continuar a mobilização das famílias agricultoras, entidades assessoras e ambientalistas, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Paraíba (Fetag-PB) convocou uma reunião com o objetivo de discutir uma ação conjunta, entre sociedade civil e governo, para o combate da mosca negra. Estiveram presentes o Secretário da Agricultura e Pesca do Estado (Sedap), Ruy Bezerra, o promotor de Defesa do Meio Ambiente da Comarca de Campina Grande, José Eulâmpio Duarte, além de representantes da UFPB, da Embrapa, da Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário (DFDA), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB) e da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa).
Entre as entidades da sociedade civil participantes, estão a Fetag-PB, Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRs) de Lagoa Seca, Lagoa de Roça, Alagoa Nova, Esperança, Remígio, Areia, Matinhas, Campina Grande e Massaranduba, representantes do Polo da Borborema, da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), do Conselho das Associações Rurais e Desenvolvimento Agrário do Município de Esperança (Cardame), da AS-PTA, do Território da Cidadania da Borborema e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PB).
Na reunião, o presidente da Fetag, Liberalino Ferreira de Lucena, cobrou do Governo do Estado o respeito à opção dos agricultores de não aplicar venenos em suas lavouras e, assim, manter cultivos de base agroecológica. Segundo ele, em vez de agrotóxicos, estão sendo utilizados produtos orgânicos para o combate da praga.
Já temos casos exitosos da aplicação de inseticidas naturais, como o nim ou amargosa. É preciso, portanto, deixar a cargo dos agricultores a escolha pela opção que consideram mais adequada, destacou Lucena.
Um dos pontos altos da reunião foi o momento em que dois agricultores deram seus depoimentos. O primeiro, Fernando Paulino da Silva, trouxe como amostragem várias folhas de laranjeiras, algumas danificadas pela mosca negra e outras tratadas com produtos naturais fabricados a partir de conhecimentos locais. Já o segundo agricultor, conhecido como Robinho, expôs a situação dramática que viveu no passado, quando aplicou agrotóxicos indiscriminadamente, o que deixou marcas em seu corpo e arrependimento por ter agredido o meio ambiente.
Durante o encontro também foi apresentado um relatório expondo as boas práticas agrícolas que vêm sendo monitoradas, testadas e aprovadas pela equipe técnica da AS-PTA junto ao Prof. Jacinto Luna, da UFPB – Campus Areia. As práticas consistem em aplicar nas plantas afetadas óleo de castanha-de-caju, detergentes neutros e óleo de nim, que, por ser um produto de origem vegetal, biodegradável, não contamina o meio ambiente, sendo inclusive indicado amplamente na agricultura orgânica.
Entretanto, quanto à aplicação do Provado SC200, o relatório das pesquisas recomenda que não seja feita em plantas que estejam muito próximas de residências, fontes de água e passagem de pessoas e animais (o que é muito comum na região da Borborema, em que a maioria de propriedades tem tamanho reduzido). Também não é indicado pulverizar o veneno perto de cultivos de outras espécies, como pitanga, acerola, goiaba, jabuticaba e ervas medicinais, que poderão ser atingidas por gotas de dispersão. Além disso, nas duas propriedades estudadas que receberam o veneno, os resultados foram considerados inconclusivos, subjetivos e de caráter não científico, uma vez que não foi feito de forma rígida o controle da contagem da população do inseto antes e depois da aplicação do veneno. Numa das propriedades, aliás, nem todas as moscas foram mortas, o que pode ter sido causado por imperícia no processo de pulverização. O relatório sugere ainda que a sociedade exija do governo a responsabilidade por monitorar todos os eventuais efeitos ao meio ambiente e à saúde humana e animal decorrentes do uso de venenos nos cultivos.
Finalmente, foi feita a apresentação do Plano de Combate e Controle da Mosca Negra, que foi discutido e aprovado pela maioria dos presentes e entregue ao Secretário da Sedap, Ruy Bezerra. Com essas ações, as entidades agricultoras, organizações de apoio e ambientalistas esperam que se concretizem as propostas elencadas no plano de ação e que o governo se comprometa a estabelecer um processo de ampla participação da sociedade civil.
Até lá, a mobilização continua para evitar que o veneno seja empregado e prejudique toda a região da Borborema. A Fetag divulgou um documento em que os agricultores reivindicam o direito de produzir alimentos saudáveis, sem o uso de agrotóxicos. Além de propostas alternativas ao uso do veneno, o texto apresenta os principais argumentos contrários a essa iniciativa do governo que, apesar de ter amparo legal, pode trazer prejuízos ainda mais graves do que a própria praga.
Para ler o documento na íntegra, clique aqui.
Leia também: Combater mosca negra com agrotóxicos pode trazer mais prejuízos
Obs: A matéria contou com informações do Programa Domingo Rural, do Stúdio Rural, assim como da carta elaborada pelas entidades da agricultura familiar e suas assessorias.
Orgânicos: mais saudáveis e mais caros
12 fev 2010 2 Comentários
em Saberes Agroecológicos Tags:agrotóxico, meio ambiente, orgânico, saúde
Venenos legalizados
26 jan 2010 1 Comentário
em Saberes Agroecológicos Tags:agrotóxico, meio ambiente, saúde
Cientistas organizam uma lista de alerta sobre agrotóxicos tolerados pela lei brasileira, mas que representam uma ameaça à saúde. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e enfrenta problema crônico de contaminação. Ainda em seu início, a lista já inclui 27 substâncias, cuja venda é permitida, mas sobre as quais há suspeita de causar desequilíbrios hormonais, com danos que vão de obesidade e depressão à redução da fertilidade masculina. Os estudos serão apresentados ao Ministério da Saúde, responsável por determinar restrições ao uso de agrotóxicos. As substâncias analisadas levam muito tempo para serem eliminadas do meio ambiente. Por isso, são contaminantes perigosos. O contato inicial acontece nas zonas de produção agropecuária e chegam às cidades através do consumo de produtos com traços dos compostos.
O Globo, 24/1, Ciência, p.37.
Você está sendo envenenado!
16 dez 2009 Deixe um comentário
em Saberes Agroecológicos Tags:agrotóxico, meio ambiente, saúde
Texto de contribuição da Dra. Sônia Hess (Professora da UFMS), enviado para lista de e-mails do grupo [novaterbrasil] Os interessados podem pedir textos e pareceres (com referências bibliográficas) para: soniahess@gmail.com

Pense um pouco: por que será que em 2007, no Brasil, o câncer já foi a principal causa de morte das mulheres com 30 a 49 anos, e a segunda principal causa dos óbitos de homens e mulheres acima de 50 anos? No total, foram 161.491 mortos em 2007 e, entre janeiro e setembro de 2009, pelo menos, 422.559 internações para o tratamento de neoplasias (dados oficiais, disponíveis em www.datasus. gov.br).
A literatura cientifica demonstra que mais de 80% dos casos de câncer são desencadeados por fatores de risco presentes no ambiente, incluindo contaminantes presentes no ar, na água e nos alimentos.
Será que o aumento da incidência de câncer no Brasil não tem a ver com o fato de sermos o país onde mais se consome agrotóxicos, em todo o mundo? Quais outros fatores de risco poderiam estar desencadeando esta epidemia? E o mal de Alzheimer, que assola um numero cada vez maior de idosos? Para quem ainda não sabe, o alumínio presente em águas de abastecimento (utiliza-se sulfato de alumínio no tratamento da água) é apontado como um dos fatores de risco para a doença.
Gostaria de indicar algumas medidas protetoras:
1) Não beba água da torneira. Se possível, beba apenas água mineral, de procedência conhecida e confiável. A maioria dos contaminantes químicos presentes nas águas de abastecimento (resíduos de medicamentos, hormônios, detergentes, além de subprodutos da cloração) não são eliminados durante os processos convencionais de tratamento. Filtros de carvão ativado ajudam a melhorar a qualidade da água, mas tem que ser trocados em poucos dias, porque rapidamente perdem a eficiência. Ferver a água e um procedimento que elimina microorganismos e alguns contaminantes químicos voláteis, mas não retira a maioria das substâncias perigosas ali presentes. quanto mais contaminada e a fonte da água, maior a concentração de substancias perigosas presentes, depois de seu tratamento (se o manancial e um rio com resíduos de esgoto domestico ou industrial, certamente, a água fornecida a população não estará pura);
2) Embalagens e alimentos industrializados contem muitos componentes tóxicos, acredite (corantes, conservantes, elementos com propriedades hormonais, como bisfenol a, ftalatos, etoxilatos…). Evite seu consumo. Também evite o uso de detergentes para lavar louças, porque deixam resíduos perigosos nos utensílios. Também para lavar roupas use sabão de coco (já existe sabão de coco em pó, no mercado);
3) Não confie em protetores solares e outros cosméticos disponíveis no mercado. Evite seu uso! Alem das informações disponíveis no parecer técnico anexo (disruptores) , e possível encontrar muitos artigos tratando dos riscos a saúde associados a componentes de cosméticos. Inclusive, sugiro que leiam o livro intitulado “anticancer”, de autoria do medico David Servan-Schreiber;
4) Valorize alimentos produzidos de forma orgânica. O que você pagar a mais para consumi-los, pagara a menos em tratamentos médicos!;
5) cuide do ar que respira. Dentro de casa, não use pesticidas e, se pintar algo, saiba que as tintas liberam poluentes perigosos, na atmosfera. Inclusive, tintas e colas utilizadas em elementos de decoração contem benzeno e outros solventes aromáticos, comprovadamente cancerígenos e extremamente perigosos. Se em seu ambiente de trabalho ou residência houver fontes internas de poluição (lareiras, fogões a lenha, maquinas de xerox, etc), perceba-os e tente minimizar seus efeitos. Se conviver com fumantes, proteja-se, e sugira que procurem auxilio medico para se “curarem” do vicio. Também e importante conhecer fontes ambientais de poluição atmosférica que afetam a sua saúde, para combatê-las (queimadas, incineradores e queimas de lixo, veículos poluentes, etc).
Gostaria muito, muito, que você percebesse os riscos, e tentasse evitá-los para si e sua familia.
A propaganda a favor dos venenos dispõe de bilhões de dólares, enquanto que a defesa da saúde diante do envenenamento ambiental dispõem de verba zero!!!
Abraços, Sônia Hess.










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