DE PERTO NINGUÉM É NORMAL
27 mai 2010 Deixe um comentário
em Centro de Ciências Agrárias - UFPB Tags:cca-ufpb, enem, opinião

Parafraseando Caetano Veloso, desejo trazer para a reflexão uma situação vivida durante a assembléia realizada no Centro de Ciências Agrárias da UFPB, no último dia 25 de maio.
Estávamos discutindo a posição da CCA quanto à aceitação do ENEM como norma para ingresso nesta universidade quando vieram ao debate questões relativas às cotas sociais. Em meio ao debate, um dos nossos colegas, o professor Américo Perazzo, direcionando-se ao coordenador da assembléia, expressou a seguinte frase: “Qual percentual das vagas ficarão destinadas aos normais como nós, os brancos e de classe média”?
Fiquei estarrecido. Afinal, em uma sociedade multirracial como a brasileira e a paraibana, não sabia que ser normal era ser branco, e mais, ser branco de classe média. Então Caetano está enganado!…. os normais existem!!! Eu estava bem perto….
De fato, nobres colegas, é triste, porém necessário, ocupar esse espaço para expressar minha indignação e mais que isso, manifestar minha preocupação com esse tipo de atitude. Muitos falam do preconceito velado e ele se revela exatamente quando o Estado Brasileiro, reconhecendo sua dívida histórica, se propõe abrir as Universidades Públicas aos mais pobres, aos afro descendentes, aos descendentes de indígenas, aos portadores de necessidades especiais. Afinal, é função do estado democrático promover políticas de combate às desigualdades sociais. Anormal, diga-se em alto e bom tom, seria continuar favorecendo os mais favorecidos.
Estamos vivendo um momento histórico cuja bandeira é a da inclusão social, e isso não será conquistado se não pelo respeito às diferenças. Inclusão social não é dádiva é conquista, resulta de lutas dos movimentos sociais.
Que os muitos exemplos de intolerância racial, religiosas, sexual, nos sirvam de lição sem que precisemos repeti-las. Basta, escravidão, apartheid, nazismo, terrorismo… precisamos de ungüentos que ajudem a cicatrizar essas feridas profundas, marcas da imaturidade e da intolerância humanas.
Precisamos, e esse deve ser um compromisso da universidade pública, contribuir para a construção de uma sociedade menos desigual, com respeito às diferenças sociais, afetivas, de gênero, de etnia e culturais. Porque, nobres colegas, normal é o respeito, o respeito à diversidade.
Prof. Rosivaldo Gomes de Sá Sobrinho
DCFS – CCA – UFPB
(83) 33622300 R 236









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