Caravana do Apodi: Moradores do Vale do Açu em risco por causa de barragem

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A primeira visita da Rota Padre Pedro na Caravana Agroecológica e Cultural da Chapada do Apodi ocorreu na manhã da última quarta-feira (23) no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia, do Rio Grande do Norte (IFRN), no município de Ipanguaçu. Desde março de 2012 a instituição conta com um curso superior de agroecologia, após alguns anos no ensino médio, o único nos institutos federais do estado. “Agroecologia não é utopia, é justiça!”, alertava a faixa exposta pelos alunos que receberam a caravana no local. A atividade encerrou com uma apresentação teatral de um grupo de estudantes representando o conflito da terra e a exploração do trabalho.

De acordo Evandro Firmino, diretor geral do campus, a filosofia da agroecologia é algo muito bonito e que deve vir para ficar. Mas precisamos avançar muito mais não só nos movimentos e ampliar as vozes da agroecologia, complementou. “Avançar também nas pesquisas, pois temos que produzir muito e com qualidade para termos condições de reduzir a fome do mundo. A agroecologia aparece tardiamente mas veio para ficar, sentimos a necessidade da movimentação para dar sustentabilidade a isso. Por outro lado, não vemos recursos para pesquisas para a redução dos agrotóxicos e pesticidas”, observou.

Engenheiro agrônomo que serviu ao agronegócio durante 21 dos seus 28 anos de trabalho, o professor Júlio Justino conta que teve de se converter ao passar no edital para o curso de agroecologia no IFRN. Segundo ele, esse processo não é fácil até porque a universidade forma engenheiros agrônomos no modelo convencional.

“Temos várias turmas de agroecologia que terminaram aqui e mostrando resultados na região. É muito importante esse momento com uma caravana desse nível, multidisciplinar, delegações de todo o país. Tudo isso justifica o nosso curso de agroecologia na região para se integrar ao movimento. É uma região rica com povo pobre, com recursos naturais, solo fértil, clima favorável, mais vários fatores, com mão de obra barata atraindo as empresas do agronegócio. A terra está concentrada nas mãos de poucos, e pequenos proprietários se tornam assalariados para as empresas”, afirmou.

O professor listou uma série de empresas que se instalaram na região e faliram, de modo a demonstrar a insustentabilidade dos empreendimentos no longo prazo. Ele falou ainda sobre o Distrito de Irrigação do Baixo Açu (Diba), que foi projetado com uma capacidade instalada de 6 mil hectares e começou a funcionar em 1992 com um projeto piloto de 600 hectares chegando a funcionar 3 mil hectares quando a partir daí a terra começou a salinizar e diminuir. Problemas de assessoria técnica, de gestão, dívidas em bancos, baixa capacidade de aporte de recursos, foram alguns dos fatores apontados pelo estudioso.

Monocultura da banana e as expropriações

Poucos agricultores da comunidade que foi cercada pelos bananais da empresa Del Monte resistiram à desapropriação, também no município, após a instalação da barragem. Na visita a Francisco Milton Soares, agricultor aposentado, ele contou que depois que a empresa chegou na região tudo mudou na vida dos moradores. Se antes tinham terra arrendada e compradores fixos para seus produtos em toda sexta-feira, hoje quase não têm terra para plantar e criar seus bichos, além das enchentes provocadas pelas mudanças nos rios.

“Antes da barragem plantávamos na beira do rio, tiveram que desmatar as carnaúbas. O dono pediu para todos saírem para pulverizar,  deram uma casinha lá perto das cerâmicas, e quem quis ficar que nem eu eles passavam em cima. Hoje eles mudaram o sistema. Antes tinha água doce, hoje salgou e só serve pros bichos. Cheguei a ter 190 hectares e hoje só tenho minha casa”, afirmou.

Os agricultores trabalhavam muito no carnaúbal até comprarem suas terras, lembrou Dona Preta, vizinha na mesma comunidade. Ela acredita que daqui a alguns anos sua família precisará comprar água, porque as cisternas estão secando.

“Quando começou essa firma que envenenava a gente não podia comer peixe porque ele não assava nem cozinhava, ficava com o couro duro. Hoje o peixe é bom, ele ou nós nos acostumamos, talvez porque tenha menos veneno. Teve gente que trabalhava lá e ficou doente. Os caras que compraram chegavam e falavam: eu paguei vou soltar cem bois, se vocês quiserem vocês morem com eles. Nós perdemos porque não tinha quem falasse pela a gente. Os donos moravam no Rio de Janeiro”, destacou.

São muitos os relatos de pessoas intoxicadas e doentes por conta dos agrotóxicos na região, reforçou Julio Justino, professor de agroeocologia da IFRN. Os políticos, complementou, dizem que essas empresas geram empregos e impostos.

“O corretor comprava a terra de um pequeno, e quando um resistia pulava deixando ele isolado. O preço máximo dos resistentes era 8 mil por hectare, mas teve gente  que vendeu por até 3 mil. Em 2008 houve uma enchente e parou as compras, algumas dessas terras hoje são arrendadas para o pasto”, disse.
De acordo com Gerusa Soares Costa, pedagoga e irmã de seu Francisco, além do rio Pataxó não ter leito mais os drenos da Del Monte mandam a sujeira para a comunidade.  Por conta dessas modificações com qualquer chuva alaga sua casa, sendo que antes era só no inverno.

“Não temos mais como se preparar para as enchentes. Recomendo a todos que estão em lutas parecidas e têm sua propriedade que não vendam para quem vem de outro estado ou país. Esse povo vem sem pena e piedade. Não temos mais nosso espaço, não temos mais acesso de ir e vir, nem podemos mais criar animais. As pessoas que cresceram com a gente foram embora e estamos limitado”, disse.

Em seguida visitamos algumas terras de agricultores e o Distrito Irrigado do Baixo Açu (Diba). O professor Justino explicou que a evaporação intensa provocada pelo calor faz com que os sais fiquem na terra, então ao mostrar os drenos do projeto disse que eles são recomendáveis mas alertou que hipótese alguma os resíduos podem ser despejados nos rios. Quando chove transborda poluindo o lençol freático e degradando o solo, sendo também um risco para os animais no entorno.

Os lotes nessa região são divididos entre os agricultores (8 hectares), técnicos (16) e empresários (50 a 100). A produtividade média de banana gira em torno de 13 toneladas em cada hectare por ano. E o manejo da banana é realizado de forma inadequada, se reaproveitas suas folhas para adubação da terra. Geralmente o empresário não mora no lote, ao contrário do agricultor familiar. Muitos terrenos já estão degradados nesses 20 anos de projeto e outras áreas em processo avançado de improdutividade do solo. Os camponeses ficam sem condições para pagar a energia e comprar os venenos, e por não terem o título do terreno não podem fazer empréstimos nos bancos. E a associação dos irrigadores tem hegemonia dos empresários e técnicos, dificultando a situação dos agricultores que ainda pagam taxas do DIBA e estradas, que são de responsabilidade do DNOCS.

 

Fonte:http://www.agroecologia.org.br/index.php/rumo-ao-iii-ena/560-caravana-do-apodi-moradores-do-vale-do-acu-em-risco-por-causa-de-barragem

Em Brasília, presidenta Dilma recebe representantes dos movimentos sociais

Carta dos movimentos do campo à presidenta Dilma Rousseff

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Vossa Excelência Presidenta Dilma Roussef,

Nós, organizações e movimentos sociais que vivemos no campo, trabalhamos e produzimos o alimento ao povo brasileiro, fomos convidados para uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff. Aceitamos o convite e esperamos que deste diálogo, se abra um novo momento para verdadeiras soluções dos problemas que os trabalhadores e trabalhadoras do campo vêm sofrendo há décadas e que afetam as cidades. Através desta carta, queremos contar qual será nossa posição na reunião com a Presidenta.

O povo brasileiro está nas ruas, cobrando e reivindicando solução aos verdadeiros problemas da classe trabalhadora, exigindo redução nas tarifas, melhorias no transporte, lutando por melhorias no atendimento da saúde (SUS) e educação pública, gratuita, de qualidade, e pela democratização dos meios de comunicação, contra a repressão, entre outros. As lutas exigem mudanças estruturais. As lutas sociais são legítimas e somente elas podem melhorar as condições de vida de nosso povo. Estamos e seguiremos juntos nas lutas populares que estão ocorrendo nas cidades e no campo.

Queremos manifestar nosso apoio e solidariedade às lutas e reivindicações populares da juventude, do povo dos bairros e de todos os trabalhadores e trabalhadoras que trabalham e vivem nas cidades.

No campo, há uma enorme dívida social e as desigualdades são cada vez maiores. As terras se concentrando nas mãos dos latifundiários e de empresas estrangeiras. Os bens da natureza, estratégicos, como terras, águas, florestas, sementes, minérios, estão sendo privatizados e entregues ao controle de grandes empresas.

Cerca de 8.300 grandes proprietários de terra, sozinhos, são donos de 83 milhões de hectares, enquanto que 4,3 milhões de famílias de trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar e camponesa possuem 70 milhões de hectares. No entanto, somos nós, responsáveis pela produção de 70% do alimento fornecido ao povo brasileiro.

O veneno agrícola usado pelo agronegócio chega na nossa na mesa causando muitos problemas de saúde. Os preços dos alimentos são aumentados pela especulação das empresas. A agricultura brasileira está dominada pelas grandes empresas transnacionais. Nove grupos empresariais dominam e agem como cartéis nos alimentos, controlam as sementes, a indústria de venenos, impõem os transgênicos e o uso de agrotóxicos em toda agricultura. Desmatam grandes extensões de florestas e manguezais, invadem e perseguem populações indígenas, pescadores e quilombolas e trabalhadores do campo, impõem trabalho escravo, criminalizam e perseguem as organizações e aumentam os preços dos alimentos para as populações das cidades. Este é o modelo de agricultura chamado de agronegócio, que não paga imposto para exportar, recebe grandes volumes de dinheiro público e tem sido privilegiado nas políticas de Estado e de governos.

 

QUEREMOS MUDANÇAS!

As ruas pedem mudanças para melhorar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. Na agricultura esperamos que ocorram mudanças profundas. É momento dos governos superarem posturas conservadoras e avançarem no ritmo e profundidade que as lutas populares estão exigindo.

 

O que queremos do governo:

1. Recuperar a soberania nacional sobre as terras brasileiras. Propomos que o governo anule as áreas já compradas e desaproprie todas as terras controladas por empresas estrangeiras.

2. Acelerar a Reforma Agrária e que sejam assentadas imediatamente as milhares de famílias acampadas a beira das estradas.

3. Políticas públicas de apoio, incentivo e crédito para produção de alimentos baratos, saudáveis, sem venenos com o fortalecimento do campesinato. E adoção de programas estruturais para juventude e para as mulheres do campo.

4. Garantir os direitos dos povos do campo, com o reconhecimento e demarcação imediata das terras indígenas, quilombolas e dos direitos dos atingidos por barragens, territórios pesqueiros e outros.

5. O imediato banimento dos agrotóxicos já proibidos em outros países do mundo, a proibição das pulverizações aéreas e políticas de redução do uso de agrotóxicos no campo. E profunda revisão na política de liberação dos transgênicos e controle social.

6. Que o governo assuma uma política de controle do desmatamento das florestas em todo país e apoie a recuperação de áreas degradadas e de reflorestamento pela agricultura familiar e camponesa.

7. O cancelamento da privatização dos recursos naturais como água, energia, minérios, florestas, rios e mares. Propomos a retirar do regime de urgência no congresso nacional, do projeto de Código de Mineração, e que o governo/congresso faça um amplo debate nacional com os trabalhadores brasileiros, para produzir um novo código de acordo com os interesses do povo brasileiro.

8. Implementação imediata de programas para erradicar o analfabetismo e garantir escolas em todas as comunidades rurais.

9. Suspensão de todos os leilões de privatização de áreas de perímetros irrigados no nordeste e destinação imediata para o INCRA realizar assentamentos para agricultura familiar e camponesa e adoção de políticas estruturais para democratização da água e para ajudar as famílias a enfrentar as secas.

10. Fim da lei Kandir, que isenta de impostos as grandes empresas exportadoras de matérias primas agrícolas, energéticas e minerais.

Além disso, apoiamos todas as reivindicações populares e a necessária reforma política de nosso país, com a convocação imediata de um plebiscito popular.

Para finalizar, queremos, através desta carta, contar com o apoio de vocês, trabalhadores e trabalhadoras das cidades. Seguiremos juntos, nos mobilizando e lutando.

Contem conosco!

Brasil, julho de 2013.

 

Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG),

Via Campesina – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento das mulheres camponesas (MMC), Movimento dos Pescadores e Pescadoras (MPP), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF), Pastoral da Juventude Rural (PJR), Entidzade Nacional de Estudantes de Biologia (ENEBIO), Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (ADERE), Movimento dos Atingidos pela Mineração (MAM), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF) 

Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF),

Movimento Camponês Popular (MCP),

Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA),

Articulação Nacional de Agroecologia (ANA),

Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA)

 

 

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/13471

Olha nós no…

e no…

Paraibanês

Paraibano não fica solteiro... ele fica solto na bagaceira!
Paraibano não vai com sede ao pote... ele vai com a bixiga taboca!
Paraibano não vai embora... ele vai pegá o beco!
Paraibano não diz 'concordo com vc' ... ele diz 'Né isso, homi!!!!'
Paraibano não conserta... ele Imenda!
Paraibano não bate... ele 'senta-le'a mãozada!
Paraibano não sai pra confusão... ele sai pro 'muído'!
Paraibano não bebe um drink... ele toma uma!
Paraibano não é sortudo... ele é cagado!
Paraibano não corre... ele dá uma carrera!
Paraibano não brinca... ele manga!
não toma água com açúcar... ele toma garapa!
não engana... ele dá um migué!
não percebe... ele dá fé
não vigia as coisas... ele pastora!
não sai apressado... ele sai desembestado!
não aperta... ele arroxa!
não usa zíper... usa 'riri'!
não dá volta... ele arrudêia!
não espera um minuto... ele espera um pedaço!
não é distraído... ele é avoado!
não fica encabulado... ele fica todo errado!
não passa a roupa... ele engoma a roupa!
não ouve barulho... ele ouve zuada!
não rega as plantas... ele 'agoa' as plantas
não é esperto... ele é desenrolado!
não é rico... ele é estribado!
não é homem... ele é macho !
não diz tu ouviste? , ele diz vice?
não diz vamos embora ele diz bora!
não grita de espanto ele diz oxe!
não se impressiona, só diz vôte!
não diz não, diz nã!

Ô orgulho réi besta!!!

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