A ECOgincana 2004 sob os olhos do Professor Iêde de Brito Chaves

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Um evento que foi um sucesso!
Com certeza uma das iniciativas das mais felizes em todo o Brasil, visando a integração dos noviços das ciências agrárias a realidade do mundo rural. Atitude de quem tem coragem, determinação, força, organização e acima de tudo, espírito humano, fraterno e solidário. Ação política e cidadã despertando nas pessoas a responsabilidade social, o reconhecimento e a valorização dos atributos da terra, seu ambiente físico e humano. Assim, foi a ECOGincana-2004, organizada pelos estudantes do Centro de Ciências Agrárias ligados ao Diretório Acadêmico e ao Movimento Agro-Ecológico. Parabéns Camaradas!
O cenário era os contra fortes orientais do Planalto da Borborema, o ambiente colonial da atividade canavieira, sábado, 05 de junho de 2004. Começamos em Areia com a Alvorada protagonizada pelos soldados do Exército Brasileiro aos estudantes do Centro de Ciências Agrárias (5:00 horas da manhã). Em seguida, de passagem pela cidade, o comboio se avoluma com outros estudantes e membros da Comunidade e desce para Alagoa Grande. No Largo do Teatro, em meio aos casarios centenários, é servido o café da manhã. Leve como tem que ser, com muitas frutas tropicais e outros petiscos e bolos. Gente da Terra ajudando. Curiosos e crianças ao redor. Dia de feira, agitado, 6:30 da manhã. Últimas instruções, agora em grupo separados por cores (verde, amarelo e azul) são formadas as equipes (40 pessoas), que além de cinco a seis membros do grupo organizador, passa a contar com a companhia de dois militares do Corpo de Bombeiro. Gritos de guerra na praça, provocações entre as equipes, e em meio a chuva fina persistente, 7:15 da manhã, parte a Equipe Verde.
Em fila indiana, fita verde no braço direito, camisetas com figura alusiva a Trilha Ecológica, é dada a partida. Improvisa-se hino de marcha, saudações aos citadinos e por entre a Feira, o olhar espantado dos vendedores e transeuntes. Em marcha batida ganha-se a estrada de volta para Areia. Cruza-se a velha ponte por sobre o rio Mamanguape, logo em seguida, dobra-se a direita em estrada de chão. Agora é barro e lama, canavial. Bom dia aqui, bom dia acolá, são os rurícolas que vêm pra feira. Chinela na mão, criança no braço protegendo-se da chuva e do escorregão. Três quilômetros adiante uma equipe do Exército organiza o nosso primeiro desafio. Para os convidados tudo era surpresa, não sabíamos o que tinha por vir. Até então nas várzeas planas cobertas de cana-de-açucar a marcha era tranquila. A nossa equipe foi dividida em três grupos, a missão de cada grupo era com o uso de uma bússola e medindo passadas, encontrar mensagens em cinco pontos consecutivos distribuidos no entorno. A média do tempo gasto pelos três grupos daria a pontuação da equipe. Pé na lama, corre-corre, travessia de rio. Agora além de molhados, enlameados.
Marcha pra oeste em busca do engenho Serra Grande no sopé da Borborema, terreno suave ondulado, algumas ladeiras escorregadias, canavial, travessias de riachos. O moral da tropa é elevado. O Sargento Duarte do Corpo de Bombeiro, um dos mais entusiasmados, pergunta. O verde o que é?  A tropa responde: O verde é infantaria todo o dia ….. só a vitória nos interessa! Verde! Verde! Verde! E a marcha prossegue firme. Chegada ao engenho, parada pra descanço. Uma pequena falha, esqueceram da rapadura. Só água para beber, puríssima! Necessidades fisiológicas, primeiro as mulheres, depois os homens, na casa grande abandonada do engenho. É hora de conferir as mochilas, uma fruta filada do café da manhã, uma bolachinha das meninas e comentários sobre a gincana.
Toca debandar. A equipe organizadora toma a frente e se distribui no meio e no final da fila para dá assistência ao grupo e não deixar atrasar. O rumo continua para oeste, agora subindo o Planalto pela margem esquerda do riacho. O terreno é acidentado e logo os fortes declives laterais do vale em forma de V, nos deixa como opção, caminhar no leito pedregoso e por dentro dágua. No meio do caminho, um sinal da presença do homem, a barragem de captação de água e a tubulação que a leva à Alagoa Grande. O primeiro grande obstáculo, escalar um grande lajedo, blocos enormes de pedras de granito e gnaisse. Daí, até a cachoeira 1:30 horas acima,  só escalar pedras e cruzar água, por uma esplendorosa paisagem. Mata ciliar exuberante, pedras esculturas naturais talhadas pela correnteza. Flores, ciprestes, diferentes formas de vida. A fauna talvez assustada com a balbúrdia da tropa, permanecia ausente. A turma do movimento Agro-Ecológico começa a agir. A ordem é recolher qualquer objeto estranho ao ambiente natural, latas, garrafas plástica, vidros, etc. Chegamos na famosa cachoeira, estamos adiantados no horário e podemos curtir por mais tempo a delícia do lugar. Por sobre um grande bloco de pedra a água divide-se por dois caminhos. Um salto lateral a esquerda , de 10 m de altura, e a direita, espalhando-se sobre o lajedo, saltos menores terminando com uma rampa até dentro de uma grande piscina no sopé da pedra. A junventude e até os menos jovens aproveitam pra tomar banho. Os militares bombeiro para não perderem a farda e a compostura, permaneceram vestidos. Aproveitei para explorar os melhores ângulos e fazer algumas fotos.
Vem chegando a Equipe Amarela. É hora de recolher. Mudar de roupa, digo, sobrepor as roupas, e enfrentar a vertente mais íngreme, rumando para norte. O caminho é por dentro de plantações de banana e depois mandioca. Área escarpada, imprópria para agricultura,  terreno argiloso, escorregadio. A chuva dá uma pequena trégua o que facilita a subida e possibilita vislumbrar a paisagem. Rapidamente nos elevamos e em volta se descortina os paredões das encostas recobertos por uma densa floresta. Passo a passo vamos conquistando o topo, pouca conversa, respiração profunda. Chegamos ao primeiro grande patamar do planalto, contudo ainda temos que andar ainda muito para chegar ao Engenho Carro, nosso ponto de apoio para o almoço. Contornando a linha de cumeeira tomamos a direção sudoeste. Em estrada carroçavel recem contruida a lama era total, chuva fina. A estrada melhora, entramos na área de cana dos engenhos, vales estreitos, fundos côncavos alguns riachos a cruzar. Continuamos a ganhar altura, rampa longa, adentramos em área de mata, chuva, cansaço, fome. Só se fala no almoço e no tempo que falta para chegar no Engenho Carro. Mais uma rampa e chegamos a uma reserva florestal onde o Grupamento do Exército iria nos fazer demonstração de sobrevivência na selva. A chuva aperta, a fome também. O tenente ainda não tinha voltado do almoço para começar as demonstrações. Afinal, em três estações, aprendemos a construir abrigo, fazer fogo e matar animais. Reta final para o engenho Carro, mais algumas rampas. Depois, após uma curva e uma ladeira suave, o Engenho. Gritos de louvor, assobios, a saudação da Equipe: O verde o que é? Infantaria todo o dia … etc. Na recepção, numa grande palhoça lateral a casa grande, mesas e cadeiras. A equipe de apoio e os comandantes da tropa do exército  já fartos, cediam lugar para os famintos. Cardápio: vaca atolada. Silêncio total. Passa das 14:00 horas, a chuva bate forte e começamos a comentar do sofrimento das duas outras equipes que ainda vinham caminhando. Sobremesa, bate papo e gritos, lá vem chegando a equipe amarela. Temos que nos transferir para o terraço da casa grande.
É hora de ganhar a lama. Felizmente a chuva abrandou. Entramos na reta final. Por um caminho estreito, em ligeiro declive, pegamos um canavial, lama, água, depois terra firme. Cortando morros por atalho ganhamos altura, depois voltamos a descer. Mantivemos a marcha na direção sul, rumo ao engenho churrascaria a Bagaceira, nosso ponto de chegada. Corta-se engenhos, sítios, paisagem brejeira. Mais uma forte e longa rampa em aclive, Os menos jovens, tomam a posição posterior da fila, a equipe organizadora segura a turma da cabeceira, para não haver dispersão. O moral ainda é elevado, puxa o Sargento Duarte: O Verde o que é ? ….  Em seguida outro coro começa, agora puxado pelos estudantes: 1, 2, 3, 4 – o Fulano é um barato. Resposta: 4, 3, 2, 1 – Êle dá pra qualquer um. Estamos descendo para o riacho da Areia, origem do nome da cidade, segundo o nosso guia Saulo, também o nosso reporter fotográfico. Ladeira íngrime e escorregadia lá vem o nosso fotógrafo em disparada para pegar a cabeceira da fila, não consegue parar e desliza numa grama lisa por uns dez metros. Em seguida mais outro vai ao barro. De mãos dadas, o casal Val e Betinha, eu e o sargento Duarte ganhamos equilíbrio e conseguimos descer. Pegamos a estrada margeando o riacho, mais na frente uma pequena ponte e em seguida o asfalto, estrada Areia-Alagoa Grande.  Cuidado redobrado, travessia rápida e em seguida, 15:45 horas, o pátio da Bagaceira, o nosso ponto de chegada, a nossa conquista.
Graças a Deus, nenhum acidente. É hora de começar a folia, toca safoneiro toca, até clarear o dia!
Assim foi a nossa fantástica epopéia, dia inesquecível para todos nós!
Campina Grande, 13 de junho de 2004
Iêde de Brito Chaves
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Olha nós no…

e no…

Paraibanês

Paraibano não fica solteiro... ele fica solto na bagaceira!
Paraibano não vai com sede ao pote... ele vai com a bixiga taboca!
Paraibano não vai embora... ele vai pegá o beco!
Paraibano não diz 'concordo com vc' ... ele diz 'Né isso, homi!!!!'
Paraibano não conserta... ele Imenda!
Paraibano não bate... ele 'senta-le'a mãozada!
Paraibano não sai pra confusão... ele sai pro 'muído'!
Paraibano não bebe um drink... ele toma uma!
Paraibano não é sortudo... ele é cagado!
Paraibano não corre... ele dá uma carrera!
Paraibano não brinca... ele manga!
não toma água com açúcar... ele toma garapa!
não engana... ele dá um migué!
não percebe... ele dá fé
não vigia as coisas... ele pastora!
não sai apressado... ele sai desembestado!
não aperta... ele arroxa!
não usa zíper... usa 'riri'!
não dá volta... ele arrudêia!
não espera um minuto... ele espera um pedaço!
não é distraído... ele é avoado!
não fica encabulado... ele fica todo errado!
não passa a roupa... ele engoma a roupa!
não ouve barulho... ele ouve zuada!
não rega as plantas... ele 'agoa' as plantas
não é esperto... ele é desenrolado!
não é rico... ele é estribado!
não é homem... ele é macho !
não diz tu ouviste? , ele diz vice?
não diz vamos embora ele diz bora!
não grita de espanto ele diz oxe!
não se impressiona, só diz vôte!
não diz não, diz nã!

Ô orgulho réi besta!!!

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